EE PAULO CAMILO DE CAMARGO – CIE 907595
DIRETORIA DE ENSINO REGIÃO DE SUMARÉ
ENSINO MÉDIO
Joilso Botelho de Morais
Professor
Maricila Leonarda Pastre de Camargo
Professora Coordenadora Pedagógica Ensino Médio
Regina Buzon Domingues
Diretor Escolar
Dirce Costa Brito
Vice Diretor Escolar
Resumo
Desde que foi definido o regulamento e o tempo de execução deste projeto, nossas energias foram direcionadas no sentido de, em primeiro lugar conseguir concretizá-lo, uma vez que, visamos produzir um vídeo que capturasse este processo de ressignificação dos valores nos estudantes e desta forma contribuir de alguma maneira na disseminação de uma consciência cidadã, condição básica para construir uma sociedade melhor. Para tanto chegamos à conclusão de que seriam necessários uma dedicação extra e o comprometimento de todos no sentido de unirmos esforços para alcançarmos nosso grande objetivo, “envolver nossos alunos nas atividades traçadas em nosso plano de ação que consistia essencialmente em inserir neles valores éticos e morais”. Através do conhecimento empírico associado às novas tecnologias da informação buscamos desenvolver competências e habilidades gerais e específicas nos estudantes. O objetivo sempre foi norteado na intenção de reforçar a importância destes valores para um melhor convívio social. Elaboramos então, um roteiro que contemplava uma pesquisa de campo embasada na compreensão dos conteúdos teóricos, que pretendia desenvolver nestes jovens, por meio da representação, interação, e convivência com pessoas da terceira idade, uma reflexão crítica acerca de questões e problemas sociais das relações humanas, que na maioria das vezes, não são notadas por eles. Entretanto, sabíamos que não seria possível levar todos os alunos da turma a uma casa de repouso, instituição que cuida de pessoas desta faixa etária. Neste caso, criamos uma equipe de trabalho que foi in loco realizar as entrevistas para posteriormente exibi-las aos demais, situação que despertou reflexões, tanto naqueles que conversaram diretamente com os idosos quanto nos demais. Este contato gerou ensinamentos nos alunos, expressos em relatos, mas, sobretudo, na manifestação artística que retransmitiu uma mensagem já existente no gênero caipira, em uma linguagem mais próxima da cultura dos alunos, o rap.
Introdução
A partir do momento que nos foi proposto a realização deste projeto e ficou acertado que iríamos desenvolvê-lo na unidade de ensino, nosso primeiro passo foi por em prática ações no sentido de viabilizar sua aplicação para em seguida efetuar as intervenções necessárias para sua concretização. Iniciou se então, discussões entre os professores, os coordenadores e a direção para detectar as carências de cada turma e definir o tema a ser trabalhado com cada sala e qual docente ficaria encarregado de executar o projeto de acordo com a deficiência apresentada por eles em relação à dificuldade de aprendizagem em determinado conteúdo. Após este diagnóstico, chegou-se ao consenso de que, uma parcela significativa dos alunos do ensino médio carecia de um contato mais sistêmico com conhecimentos voltados para prática dos valores éticos e morais. Tal constatação evidenciou a certeza sobre as áreas do conhecimento a serem utilizadas para realizar este dever. A Filosofia e a Sociologia, uma vez que, ambas tratam sobre o nosso objeto de estudo. Por meio de situações de aprendizagem destas disciplinas associada com as TIC e pesquisa empírica com grupos sociais que sofrem conseqüências em seu cotidiano por causa da ausência de condutas éticas, conduziremos os valores e provocaremos sua inserção nesta temática, com o propósito de imprimir a idéia em seu intelecto, para em seguida fazer parte de sua cultura. Diante desta percepção o professor mais indicado tinha de preencher dois requisitos básicos, ser da área e possuir mais tempo de casa, razão pela qual fui selecionado.
Definida esta etapa, nossas energias foram direcionadas no sentido de cumprir as metas estabelecidas na estratégia e envolver os alunos por meio da disponibilização das TIC da aula interativa para pesquisa do conteúdo, elaboração de questões para entrevista, coleta dos depoimentos, registro das atividades e confecção do produto final do projeto.
A execução destas tarefas além de propiciar uma experiência única naqueles que participaram, ainda gerou reflexões e posicionamentos nos alunos que indiretamente foram atingidos pela interação com o grupo social analisado, em alguns casos teve outros desdobramentos, multiplicando as ações sobre a temática e levando uns alunos de outras séries a expor sua indignação, insatisfação e inquietação por meio da arte, no caso deste projeto, o suporte utilizado por eles para esta crítica foi o audiovisual. Sendo este fato um reflexo de nossa intervenção na comunidade escolar, uma expectativa que não foi cogitada por nós durante a elaboração do trabalho, mas que, por sua vez, sua produção não nos surpreendeu, haja vista que, esta foi nossa intenção desde o início.
Justificativa
Depois de vivenciar as dificuldades no sentido de ministrar as aulas, organizar a turma, transmitir as competências e habilidades, principalmente por se tratar de um conteúdo extremamente analítico que requer disciplina e concentração para sua compreensão. Procurou-se então, estabelecer uma estratégia, cuja finalidade consiste em despertar o interesse da grande maioria dos jovens para reflexões acerca da vida em sociedade.
Desde o primeiro contato com alunos tão vidrados nas novas mídias, as quais, para a maioria esmagadora deles é a grande atração, sendo justamente aonde canalizam grande parte de seu interesse e energia. Fato também evidenciado nas outras salas que ministro ou ministrei aulas. Encontrar alunos que fazem do aparelho de telefone celular uma espécie de extensão de seu próprio corpo, sendo quase impossível para ele se desvencilhar deste hábito, que é, sem dúvida um dos maiores empecilhos que desencadeia inúmeras situações a ser administrada durante o desenvolvimento das leituras, das atividades e dos trabalhos propostos nas situações de aprendizagens aplicadas pelos educadores. Diante de um cenário desfavorável, no qual se é obrigado estabelecer uma relação de disputa constante entre a resistência do professor e a resistência do aluno. O primeiro teima em não aceitar esta situação e luta (como é o meu caso) contra todas essas adversidades para não deixar que esta cultura do desinteresse suplante a cultura da educação. É claro que este jogo é bem desequilibrado, haja vista que, no caso específico desta sala são 40 alunos X 1 educador. Enquanto o segundo, e aqui cabe uma ressalva, uma vez que, não se pode generalizar e afirmar que esta cultura do desinteresse afete a todos, haja vista que, existem (graças à Deus) gratas raras exceções que nos anima a continuar com esta postura, porém, uma parcela significativa já incorporou este desinteresse em vários níveis, não somente no círculo escolar, mas também em muitos casos, na esfera familiar e social.
Para esta parcela dos alunos o professor é visto como uma pessoa que apenas tem que conferir sua presença e permitir que possa ir ao banheiro ou beber água e que de preferência, não o atrapalhe e nem interrompa seus planos, que se voltam basicamente para a diversão, sem compromisso algum com as situações de aprendizagem e as atividades propostas por elas. O grande desafio é desenvolver competências e habilidades no restante dos alunos que se mostram interessados e comprometidos em um espaço barulhento e indisciplinado, onde se presencia as mais variadas situações a fim de impedir que uns poucos possam assimilar este conteúdo programático. Brincadeiras de mau gosto, pronunciamento de palavras de baixo calão, desrespeito de todo tipo são frequentes neste ambiente, nada favorável para a prática educativa.
Começou então um debate sistemático e permanente entre alguns professores durante encontros com a coordenação, direção e funcionários da unidade escolar no sentido de buscar uma maneira de alterar esta situação, nada agradável. Diante das circunstâncias e das constatações verificadas ao longo de mais de um ano e meio de contato com a turma e mais de dois anos e meio trabalhando com a equipe gestora e troca de experiências com alguns colegas chegou-se a seguinte conclusão: estes alunos de um modo geral estão desprovidos de valores, não restando outra alternativa, a não ser, buscar uma maneira de inserir ‘valores morais’ nestes alunos. Desde que comecei a trabalhar nesta unidade de ensino, no início de 2009, tive a oportunidade de interagir com as pessoas que compõem esta comunidade escolar, coordenação e direção de forma que por meio, de longas discussões, leitura e análise de fragmentos extraídos de textos pedagógicos compartilhados em HTPCs (Horário de Trabalho Pedagógico Coletivo), além da análise de material áudio visual exibidos durante os planejamentos de cada ano letivo podemos chegar a um consenso, resgatar os valores morais e éticos é uma forma de se evitar que a barbárie, situação presenciada em alguns lugares de nosso país, prevaleça também nesta comunidade escolar, situação que, segundo relato de colegas de mais tempo na unidade escolar, já aconteceu em um passado não muito distante ocorrências desagradáveis, violentas e degradantes. Para dar continuidade nesta mudança nossa intenção é tentar desenvolver e transmitir ensinamentos que acreditamos ser fundamental para criar uma consciência voltada para uma cultura de paz.
Este é o principal motivo pelo qual demos ênfase neste projeto aos conteúdos atitudinais, ou seja, sendo por meio da vivencia do ser com o mundo que o rodeia. Fazendo do aprendizado de normas e valores o alvo principal para que este conteúdo seja adquirido por quem quer que seja, e na sua proporção e qualificação só é desenvolvido na prática e em seu uso contínuo. O individuo é moldado de acordo com suas vivências, porém, não é escravo destas, podendo redimir-se ou simplesmente questionar-se.
Os conteúdos atitudinais passam pelo processo sociedade-indivíduo-sociedade. Tratando-se de grupos, tribos, comunidades de diferentes escalões sejam eles econômicos ou culturais. Todos seguindo normas estabelecidas por todos: respeito, compreensão, solidariedade, humildade, muitos outros de suma importância.
No meio escolar estes conteúdos são trabalhados todo o tempo, seja ele nos trabalhos individuais ou em grupos, sendo ele melhor trabalhado em grupo já que o tema proposto é aprender a viver juntos respeitando uns aos outros em suas opiniões concordando ou discordando de determinadas atitudes que ferem as normas e os valores estabelecidos normalmente. Os conteúdos atitudinais "proporcionam ao aluno posicionar-se perante o que apreendem. Detentores dos fatos e de como resolvê-los, é imprescindível que o aluno tenha uma postura perante eles."[4]
Desenvolvimento do tema
Para alcançar nosso objetivo principal que, consiste em implantar uma cultura de paz em nossa comunidade escolar, fazia-se necessário intensificar a sistematização dos valores éticos e morais nos alunos. Da maneira convencional não havíamos obtido muito sucesso, uma vez que, os estudantes de uma maneira geral não se concentram mais do que cinco minutos, principalmente em aulas expositivas que utilizam apenas recursos como lousa giz, e textos extraídos de livros didáticos, artigos e apostilas.
Nossa unidade escolar situada na Rua Catúlo da Paixão Cearense, nº 110 no Jardim São Bento em Hortolândia – SP. Possui 745 alunos matriculados nos três ciclos, sendo 212 no ensino fundamental ciclo I, 332 no ensino fundamental ciclo II e 201 do ensino médio. Integra a área administrada pela Diretoria de Ensino - Região de Sumaré, situada na Rua Luiz José Duarte, nº 333 – Jd. Carlos Basso, CEP 13170 – 250 Sumaré-SP. Esta Diretoria responde por 65 escolas estaduais, 39 escolas municipais e 28 escolas particulares situadas em Sumaré, Hortolândia e Paulínia sua área de abrangência. Sua Dirigente de Ensino é a Profª. Dirceusa Bíscola Pereira que a este cargo em 2009 após a aposentadoria de sua antecessora a Profª. Nemésis Divina Brandão Vieira.
A turma selecionada para desenvolver o projeto aula interativa foi a do 2º ano do Ensino Médio composta de jovens com idade média de 16 anos, mescla alunos interessados com outros que demonstram pouco ou nenhum interesse pelos estudos (neste caso específico, estou me referindo do comportamento deles nas minhas aulas), estes últimos priorizam assim, o tempo que permanecem na sala de aula para fazer diversas coisas como: colocar a conversa em dia, escutar e baixar músicas, compartilhar vídeos, acessar redes sociais, salas de bate papo, dar um apoio a amiga que está passando por um momento difícil e brincadeiras (muitas brincadeiras) típicas desta faixa etária, que faz da escola seu ponto de encontro predileto, porém, totalmente desprovidos de compromisso com o saber. Já o outro grupo é formado por uns estudantes dedicados e outros nem tanto, mas que realizam as atividades propostas e busca o entendimento do conteúdo, participando da interação durante as exposições dos temas, isso quando é possível expor algum conteúdo de maneira satisfatória, uma vez que, existem dias que, definitivamente a maioria esmagadora da classe não está nem um pouco interessada em estudar e aí fica difícil, porque, como diz o dito popular, “quando um não quer dois não brigam entra” e quando trinta não querem o que temos que fazer? Pior para aqueles poucos interessados, que são extremamente prejudicados por causa da falta de interesse destes outros, haja vista que, eles não permanecem em silêncio, razão pela qual, se é impossível obter a concentração adequada para acompanhar o desenvolvimento das situações de aprendizagem que requerem um mínimo de atenção, por se tratar de um conteúdo extremamente analítico e com um tempo limitado a quarenta e cinco minutos semanais para lecionar Sociologia. Neste cenário é possível notar uma grande influência da cultura de massa vigente no comportamento deles, porém, é mais visível esta impressão no grupo daqueles totalmente desinteressados, os quais se evidencia uma imperativo, de que basta dominar as ferramentas tecnológicas, isto é, acessar a internet, mexer em um celular, num notebook ou tablet e seus similares para estar com a sua vida resolvida, não sendo necessário absorver nada do conteúdo disponibilizado pelo professor, vindo para a escola em busca apenas do diploma. Um pensamento equivocado, porém, recorrente entre uma parcela considerável destes alunos que, como disse o Bill Gates durante uma palestra em uma escola de ensino médio nos Estados Unidos, “A escola está criando jovens sem nenhuma noção da realidade”, resumiu ele.
O objetivo deste projeto é desenvolver nestes alunos a reflexão crítica dos valores morais e sua importância no convívio cotidiano. Por meio do processo sociedade-indivíduo-sociedade pretende-se estabelecer o envolvimento deles com a comunidade escolar e também com pessoas da terceira idade. Tal experiência visa promover a sistematização do tema que será abordado sempre dentro de uma perspectiva digital e interativa, isto é, os alunos farão as leituras do tema proposto, as atividades para compreensão dos conceitos de valores éticos e morais e sua importância para a vida em sociedade, sempre de forma interativa, ou seja, um intercâmbio permanente, que num primeiro momento se restringirá apenas entre eles, o professor, a coordenação e a direção da unidade de ensino. Mas a partir do cumprimento desta etapa, que consiste na elaboração de uma pauta, onde foram distribuídas as tarefas a serem realizadas por cada integrante e estipuladas às metas a serem alcançadas tanto por nós quanto pelos estudantes. Concluída esta primeira etapa vem o trabalho de campo, capturar imagens e depoimentos de pessoas da terceira idade tanto daqueles que moram na mesma comunidade que eles quanto daqueles que vivem em abrigos ou casas de repouso. Nestas abordagens além de criar um ambiente de interação entre ambos, por meio de entrevistas nas quais indagarão estas senhoras e senhores acerca de suas impressões sobre o tratamento dado ao idoso atualmente pela família, pelos órgãos públicos, como desejariam serem valorizados, sua condição econômica, qual sua diversão entre outras coisas. Também promoverá o contato com uma realidade social da qual ainda não haviam mergulhado o pensamento de maneira aprofundada.
De posse deste material vinha nosso maior desafio que é transformá-lo em um vídeo, editado com a ajuda dos estudantes que reportasse o desenvolvimento e as etapas do projeto e, principalmente consiga alcançar seu propósito, que é por meio da utilização das TIC nas práticas das atividades escolares, conciliar o interesse e a atração dos alunos por estas mídias para deste modo envolve-los ao tema proposto a fim de sistematizá-lo e adquirir a consciência, tudo isso de maneira empírica, isto é, vivenciando cada situação durante a realização do trabalho a ponto de contribuir para seu enriquecimento cultural e social, uma vez que, o conhecimento do problema social que afeta o grupo abordado é essencial para provocar uma mobilização em alguns, no sentido de rever algumas condutas e práticas inadequadas no convívio, que na maioria das vezes é feita de maneira inconsciente, haja vista que, quando não se conhece seus efeitos muito menos seus danos fica difícil alterar este panorama, do qual. mais cedo ou mais tarde todos nós faremos parte também. Todo nosso empenho, esforço e perseverança não foram atingidos de forma integral, haja vista que, não conseguimos produzir nosso segundo produto, um impresso, formato revista de oito páginas que reproduziria os aspectos mais relevantes das entrevistas com as pessoas da Terceira Idade, porém, por não contar com o comprometimento maciço da turma, fato que, impossibilitou formar o segundo grupo de trabalho para realizar a decupagem deste material, a edição das fotos, transcrição dos depoimentos e editoração eletrônica do material e por não haver tempo hábil para realizá-lo concomitantemente com a produção do vídeo, entretanto, surgiram algumas reflexões interessantes dos alunos acerca do problema social investigado, que foram extremamente positivas e que nós transformamos em depoimentos gravados e inserimos também na edição do vídeo. Apesar de todos os obstáculos encontrados durante a execução deste projeto, tivemos uma grande satisfação, uma vez que, mesmo tendo um tempo exprimido, alcançamos a nossa meta de atingir, seja diretamente ou indiretamente o intelecto dos alunos no sentido de refletir sobre questões de justiça, solidariedade, respeito, fraternidade e amor.
Resultados
Considerando a necessidade de resgatar a prática da conduta ética com o intuito de formar pessoas imbuídas com a transformação da consciência social, para poder assim, criar o ambiente favorável para uma sociedade onde os valores de respeito, justiça, solidariedade e fraternidade estejam presentes de forma efetiva e permanente. Estamos convencidos de que práticas de intervenções como esta proposta neste projeto são fundamentais para reverter o atual cenário que hoje permeiam nossas praticas educativas e que com certeza implicam nas atitudes verificadas ultimamente no noticiário, que reportam histórias trágicas. Este quadro degradante que em algumas situações chega a desfechos fatais, prejudiciais tanto para os estudantes, mas, sobretudo para os professores, coordenadores e direção que às vezes são agredidos de forma verbal com a possibilidade de ter desdobramentos de agressão física.
Diante destas circunstâncias, as quais apontaram as dificuldades enfrentadas ao longo destas páginas no que tange da organização destes estudantes para atingir de maneira mais satisfatória a transmissão das competências e habilidades em um ambiente mais respeitoso e disciplinado. Sendo assim, com o desenvolvimento destas atividades pudemos notar que, a partir do momento que envolvemos os estudantes para que participassem deste processo e se reconhecessem nele passaram a dar importância em questões que antes sequer pensavam. Este foi sem sombra de dúvida o principal resultado que alcançamos, porém, não foi o único, haja vista que, o trabalho propiciou também o descobrimento de habilidades e capacidades que somente foram despertadas com a participação na execução do projeto. Desta feita e todo este nosso envolvimento para conseguir disseminar nos alunos estes valores, tivemos a grata surpresa de ver nossa intervenção contagiar outros alunos que sequer estavam envolvidos diretamente no projeto, entretanto por conta própria elaboraram um rap fazendo com a letra da música “Couro de Boi” de Sérgio Reis que trata justamente do abandono de um pai por seu filho. Fato que, comprovou que nosso trabalho foi além de nossas expectativas, uma vez que, atingiu um resultado fabuloso, o qual se evidenciou que nossa intervenção contribuiu para a construção coletiva dos valores, haja vista que, provocou um posicionamento crítico nestes alunos que o manifestaram por meio de uma expressão artística.
Considerações e conclusões
Tendo em vista a experiência que vivenciamos com a realização deste trabalho, nós chegamos a algumas conclusões relevantes e que julgamos necessárias descrevê-las. Apesar de termos atingido resultados satisfatórios no desenvolvimento deste projeto não podemos deixar de relatar as dificuldades enfrentadas durante sua realização que não foram poucas. Porém, o fundamental aqui é discorrer sobre a impossibilidade de atrair para o desenvolvimento efetivo do projeto alunos com deficiências especiais, com problemas comportamentais, com problemas cognitivos e de relacionamentos com seus pares, professores e funcionários da escola, haja vista que, na minha humilde opinião estes jovens definitivamente trazem em sua vida um histórico clássico de falta de estrutura familiar, isto é, a ausência de ensinamentos de boas maneiras e também o aprendizado de valores que a meu ver devem começar no círculo familiar. Esta ausência traz consequências quase irreversíveis, que em um curto espaço de tempo como o que foi pensado para o desenvolvimento deste projeto torna-se impossível recuperar um quadro social degradante da nossa sociedade, ao qual, por causa de questões de ordem econômica acabaram deixando de lado aquilo que é essencial para o desenvolvimento de uma nação, uma educação voltada para a formação do caráter de seus cidadãos e não apenas para a formação para o mercado de trabalho. O Brasil vive um dilema, uma vez que, este abandono agora virou uma dor de cabeça, haja vista que, o crescimento econômico vivido por nosso país nos últimos anos pode sofrer uma pane de força de trabalho, justamente por causa da falta de pessoas qualificadas, mas este não é o único fator que implica em problemas, porque, quando não se investe em educação e aqui estou falando também daquela que se inicia no circulo familiar e depois é complementada na escola, Ora um problema de tamanha proporção e com desdobramentos associados a uma cultura de massa que prioriza o ganho imediato voltado sempre para ganhos monetários ou materiais, postura que, na minha humilde opinião está totalmente equivocada, uma vez que, o conhecimento não pode ser apenas direcionado para este fim, sendo mais valoroso para o país e seus cidadãos uma formação intelectual voltada em primeiro lugar para o crescimento humanista, ou seja, ressaltar, sistematizar a ética tão ausente no dia-a-dia nacional, isto para mim é fundamental para reverter este cenário que atualmente acomete nossa sociedade. Investir nesta ideia e sistematizá-la é na minha ótica a grande sacada para alterar esta condição que acarreta consequências em todos os segmentos, haja vista que, todos os problemas sociais que afligem o Brasil. Apesar dos avanços alcançados com o nosso trabalho, que conseguiu despertar alguns de nossos estudantes para a questão do tratamento dado aos idosos, isto ainda é muito pouco para o tamanho da mudança que precisamos fazer. Então, concluímos que adotar novas tecnologias a prática educacional é salutar, porém, somente isto não resolverá nosso problema, por que não basta apenas revolucionar a forma de se transmitir as competências e habilidades em nossos estudantes, mas também associar a isto as condições favoráveis para se promover uma revolução ética, porque somente assim, seremos capazes de alterar esta cultura vigente que, na minha humilde opinião serviu apenas para acentuar o distanciamento das pessoas, razão pelo qual, evidenciamos em nosso cotidiano, filhos que abandonam pais e pais que abandonam filhos o tempo todo em nossa sociedade entre outras barbáries que podemos observar de tempos em tempos ao abrirmos um jornal ou outros tipos de mídias.
Referências bibliográficas
http://gentileza-eepaulocamilo.blogspot.com
http://gentileza-eepaulocamilo.blogspot.com/2011/11/parodia-das-guerras.html
http://eepaulocamilo.blogspot.com/
http://www.educacao.sp.gov.br/
http://meuartigo.brasilescola.com/filosofia/os-valores-morais-sua-importancia-na-sociedade.htm
GONÇALVES FILHO, José Moura. Humilhação Social: Um problema Político em Psicologia. Psicologia Usp. São Paulo, 1998, v.9, n.2.
Currículo Oficial do Estado de São Paulo – Ciências Humanas. SEE – pag.126.
ANEXOS
- cd com vídeos e fotos do projeto elaborado citado anteriormente.
– lista de alunos participantes e suas respectivas salas
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